Estrela do Palmas entre 2000 e 2004 e hoje prestes a assinar contrato com o Grêmio ou o Goiás, depois de brilhar na excelente e surpreendente campanha do Avaí (SC) no Campeonato Brasileiro deste ano, o volante Ferdinando está de passagem pela Capital e segue neste domingo para Nova Olinda, interior do Tocantins, onde vai rever os familiares. Em entrevista ao Jornal do Tocantins, o jogador, hoje com 29 anos, fala de sua carreira no Tricolor da Capital (onde foi quatro vezes campeão estadual (2000/2001/2003 e 2004), de sua passagem pelo Vitória do Bahia, do ótimo momento no clube catarinense e da sua amizade com o técnico Silas, além, é claro, do sonho de ainda defender a Seleção Brasileira, principalmente depois de ser elogiado pelo técnico Dunga.


Relembre sua passagem pelo Palmas?


Fui levado ao Palmas para fazer teste em 2000 pelos amigos Heltin e Ednilson. Na época, o técnico era Haydn Lins, que gostou do meu futebol e acabei ficando até o final de 2001. Depois disso fui jogar na Holanda, onde permaneci por uma temporada. Retornei ao Palmas em 2003 e fiquei até 2004 – quando ajudei o time a conquistar a sétima colocação no Brasileiro da Série C e o oitavo lugar na Copa do Brasil. No jogo contra o Botafogo da Paraíba marquei dois gols, mas o time acabou sendo eliminado. Sem dúvida, foi um dos melhores anos que passei por aqui.


Como você foi parar no Vitória da Bahia?


Alguns empresários já vinham acompanhando minha carreira. E alguns jogos que fiz pelo Palmas acabaram despertando interesse deles em me levar. Mas tive problemas com a diretoria do clube, que na época não queria me liberar. Isso acabou me atrapalhando um pouco. Apesar disso não tenho nenhuma mágoa com quem quer que seja, afinal, fiz muitos amigos por aqui. Fui para o Vitória, em setembro de 2004.


Você ganhou algum título jogando pelo Vitória?


Sim. Em 2005 fomos campeões invicto do Campeonato Baiano. E o treinador era o René Simões (hoje técnico da Seleção da Costa Rica, que perdeu a vaga para o Uruguai na repescagem da Copa do Mundo). Joguei pouco pelo Vitória.


E o interesse do Avaí, como surgiu?


Surgiu através de um convite – tipo um teste, já que o pessoal do Avaí já conhecia meu futebol. Aceitei o desafio estou no clube catarinense desde 2006 – praticamente quatro anos.


Como você explica o Avaí sendo uma das surpresas no Brasileirão?


Muito trabalho. Mas no começo ninguém acreditava na gente, nem mesmo os torcedores que achavam que o time seria um dos rebaixados, uma vez que ficamos no início do Brasileiro amargando as últimas colocações. Mas depois que conseguimos ficar 11 jogos sem perder – sendo nove vitórias e dois empates – muita gente começou a acreditar no time e dizer que somente um time campeão conseguiria dar uma arrancada daquelas. Foi sensacional.


Você diria que você e o técnico Silas depois disso foram mais valorizados?


Com certeza. O Silas é uma ótima pessoa e um grande amigo fora das quatro linhas e merece chegar a um time como o Grêmio. Quanto a mim, foram as boas exibições no campeonato que despertaram interesse do Grêmio e do Goiás. E como o Avaí surpreendeu a mídia em geral, os jogadores acabaram sendo valorizados.


Você atribui o interesse do Grêmio ao fato do Silas ser seu amigo?


Não. Pelo contrário. Antes mesmo do Silas deixar o Avaí e ir para o Grêmio, alguns dirigentes do time gaúcho já haviam manifestado interesse em meu futebol. Agora, é claro, com a chegada do Silas por lá, pode facilitar alguma coisa. Pois ele pediu para contratar dois volantes – o Alan Bahia (Atlético-PR) e um jogador do Campinense, mas o Silas mandou segurar para indicar o meu nome.


Onde você se apresenta após as férias?


Me apresento ao Avaí no dia 28 deste mês. Mas antes disso, se a diretoria do clube me ligar e mandar um contrato, seja ele de empréstimo ou definitivo, para ir para o Grêmio ou Goiás irei com muita satisfação. Uma coisa é certa. Estou muito feliz em Santa Catarina e se tiver que cumprir mais um ano de contrato também farei sem nenhum problema. Mas acredito que nos próximos dez a 15 dias já terei uma resposta sobre meu futuro.


Ferdinando você começou tarde no futebol?


Infelizmente comecei a jogar com 21 anos. Sai do Palmas com 25 anos, mas tenho bons exemplos de jogadores que apesar de terem começado tarde se deram bem. É o caso do Mineiro, que passou pelo São Paulo, Seleção Brasileira, jogou na Alemanha e Inglaterra. Mas ainda sonho em conquistar muita coisa no futebol, já que não sou um jogador de muitas contusões. Quero aproveitar o máximo jogando e poder ajudar minha família.


Você ainda sonha em servir a Seleção Brasileira?


Todo jogador tem este sonho de ir ou ser relacionado. Tenho uma possibilidade sim. O ano passado o técnico Silas convidou o Dunga para assistir ao último jogo do Avaí na Série B. E após o jogo, o Silas disse que o Dunga gostou muito do meu futebol, comparando-o ao tempo em que ele atuava. Disse que eu tinha muita garra e marcava muito. Só isso já me deixa muito feliz, independente de servir ou não a Seleção Brasileira. Mas sei que é muito difícil. Estou acreditando sim em melhorar de vida e ajudar minha família.


Você está ganhando bem no futebol?


Com certeza minha vida melhorou. Aqui no Tocantins não ganhei nada, além da projeção para sair e conquistar meu espaço. Mas em termos de dinheiro, não. Mas hoje estou melhorando e quero ganhar mais para poder ajudar meus familiares.


Qual o time que chamou mais atenção no Brasileirão?


Este Brasileirão foi muito irregular. Os times estavam no mesmo patamar. Não dá para dizer quem foi o melhor. Mas o Flamengo era o time que tocava melhor a bola e envolvia os adversários. Mas na Ressacada nós batemos eles por 3 x 0 e joguei muito bem naquele jogo. Mas gostei também do futebol apresentado pelo Cruzeiro e pelo Internacional.


Quem é seu ídolo no futebol?


O atacante Ronaldo, do Coritnhians. Ele é um cara que para mim até hoje segue fazendo a diferença. Mesmo com tantas contusões, ele joga com facilidade. É difícil explicar como ele ainda joga muito. Marquei o Ronaldo no jogo contra o Corinthians e não foi fácil. Por isso continuo afirmando que ele é o melhor do mundo.


Você poderia encerrar a carreira no Palmas?


Sim. Com certeza, pois fiz muito amigos aqui no Palmas e deixei as portas abertas por aqui. Não teria nenhum problema um dia encerrar a carreira vestindo a camisa do Palmas, que ajudou a me projetar para o futebol. E hoje, mesmo distante, torço muito pelo futebol tocantinense, onde fiz muitos amigos dentro e fora de campo.


Perfil 
Nome: Ferdinando Pereira Leda
Nascimento: 22/04/1980
Naturalidade: Grajaú (MA)
Posição: Volante
Time: Avaí
Gol no Brasileirão: 1 gol
Clubes onde atuou
l Palmas
l CFZ (RJ
)
l Vitória (BA)
l Esporte Clube São Bento (SP)
l Avaí (SC)
Títulos

l Campeonato Tocantinense – Palmas (2000, 2001, 2003 e 2004)
l Camponato Baiano (2005)- Vitória
l Campeonato Catarinense  (2008) – Avaí

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