Pavão
Além do Palmas, no Tocantins Pavão, jogou no São José, Tubarão, Gurupi e Araguaína Fotos: Arquivo Pessoal

“Me considero campeão Tocantinense de 2009 pelo Palmas. Perdemos nos pênaltis para o Araguaína, mas não fosse arbitragem ruim naquele dia, o legítimo campeão seria o Palmas”, este é o sentimento do goleiro Pavão, 36 anos, que no dia da partida era reserva e virou titular porque o goleiro principal (Santos) não viajou para a decisão alegando falta de pagamento de salários por parte da diretoria do Palmas.

20 e junho
O dia 20 de junho de 2009 ficou marcado na carreira do goleiro Pavão, na época defendendo as cores do Palmas Futebol e Regatas no jogo decisivo contra o Araguaína, na final do Campeonato Tocantinense. Foram duas partidas. No jogo de ida no Nilton Santos (14/06/2009), houve empate por 1 x 1. Na partida da volta, novo empate por 2 x 2. E nos pênaltis, o Tourão do Norte ficou o título ao vencer o Tricolor por 5 x 3. (Ver quadro).

Viagem
Primeiro, que Pavão não era o titular, mas sim o goleiro Santos. Antes da viagem para Araguaína alguns jogadores se rebelaram contra a diretoria do Palmas alegando que estavam sem receber salários e resolveram não viajar para a final, entre eles, o goleiro Santos (titular) e meia Valdo.

Com isso, o técnico Roberto Oliveira (Palmas) só pode contar com 14 jogadores para a decisão em Araguaína. E neste imbróglio todo surgiu a oportunidade do goleiro Pavão jogar como titular diante de um público pagante de 7.969 torcedores, no Estádio Mirandão para acompanhar a decisão entre Araguaína x Palmas. “Fui pego de surpresa com a desistência do Santos, do Valdo e outros jogadores, mas como sempre procurei fazer meu trabalho buscando sempre uma oportunidade e a oportunidade chegou não sei se posso dizer no momento certo justamente no jogo decisivo”, contou o goleiro

Bola rolando
Segundo Pavão, naquele jogo era quase impossível o Palmas ser campeão, pois tudo parecia que já estava combinado antes mesmo da bola rolar. Mas ele conta que a cena que chamou atenção foi quando o juiz do jogo (Edvaldo Fonseca), após ele defender o pênalti de Thiago Mendes na quarta cobrança (de cinco de cada time) ele mandou voltar. Olhei do lado e o bandeirinha não saiu para o canto, onde normalmente quando acontece uma possível irregularidade do goleiro, ele ficou parado e não mexeu na bandeira e ficou olhando para o juiz que mandou a voltar a cobrança. E o apitador normalmente fica olhando para o batedor. “Mas foi ao contrário ele ficou olhando para mim e em seguida eu defendi de novo, mas a bola bateu na trave e nas minhas costas e entrou”, relatou Pavão sem entender o que estava acontecendo naquele momento. Segundo ele, do outro lado, se houve irregularidade, o goleiro Anderson do Araguaína também se mexeu e fez vários movimentos, mas o árbitro e os bandeirinhas não fizeram nada.

Para sempre
Pavão conta que como jogador profissional foi um dia que vai ficar para sempre não só na história dele, mas todos aqueles que estiveram no estádio viram que não foi normal aquele jogo. “Não estou aqui apontando ou afirmando que houve manipulação de quem quer que seja, apenas que aconteceram decisões equivocadas e anormais na partida”. “Enfim, me sinto verdadeiro campeão Tocantinense de 2009”.

Dívida
Apesar de todo esforço de Pavão, ele conta que o clube deve a ele até hoje. “Fui lesado pela diretoria da época onde busquei o meu direito na justiça. Creio que foram três meses sem receber. Fui a uma audiência aí em Palmas e convencido pelo presidente (Josa Alves) que não precisava que ele iria me pagar”, comentou Pavão, mas segundo ele, nada disso aconteceu. Pavão disse que como sempre esteve de coração aberto e não compareceu na audiência acreditando no dirigente, mas depois o presidente falou que infelizmente não tinha como fazer o acerto. “Infelizmente não tinha nada que comprovasse isso. Ele me prometeu, mas não cumpriu. Isso foi em 2009. Já se vão 10 anos”, revelou Pavão, que gostaria de retornar ao Palmas ou em outro clube tocantinense para seguir a carreira.

Carreira
Depois de deixar o Palmas, Pavão jogou pelo Botafogo (DF) ao lado de Túlio Maravilha, Sérgio Manoel, ex-jogadores do Botafogo do Rio. Pavão tece com primeiro clube o CSA de Alagoas. Jogou ainda pelo Murici, Bom Jesus, CSE e Santa Rita (todos em Alagoas). No Tocantins, jogou primeiro no São José, depois Tubarão, Gurupi por duas vezes e Araguaína, em 2015. E foi campeão pelo Imperatriz (MA), em 2015.

2009 – 1º Jogo da final – 16/06/2009 – Palmas 1 x 1 Araguaína
Local: Estádio Nilton Santos (Palmas)
Público: 2.504 torcedores
Árbitro: João Sales Souza
Gols: Lucca (pênalti) 15′ do 1º; Mauricinho (pênalti) 24′ do 2º;

Ficha técnica – Jogo da volta – dia 20/06/2009 – Mirandão
Araguaína:
 Anderson; Cris (Gilmar), Cleiton Mineiro, Wagner e Marquinhos; Adenísio, Rondinelli (Mauricinho), Thiago Campos e Fernando Gabriel; Sandro Goiano e Fernando (Luisinho) – Técnico: Ricardo Moraes
Palmas: Pavão; Leandrinho, Valença, Ferinha e Leandro César; Márcio Goiano, Luiz Henrique (Jùnior), Heberson e Wesnalton (Nona); Lucca e Arismar – Técnico: Roberto Oliveira
Árbitro: Edivaldo Fonseca (Paraíso) Local: Estádio Mirandão  Renda: R$ 75.400,00  Público Pagante: 7 mil pessoas Total: 7.969 pessoas ? Gols: Fernando Gabriel, aos 18 minutos do 1º tempo; Lucca, aos 15; Mauricinho, aos 37 minutos e Júnior, aos 55 do segundo tempo. Expulsão: Luiz Henrique.
*Nos pênaltis, Araguaína 5 x 3 Palmas

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